7.4.08

Da mais alta janela da minha casa

Ahir mateix, que era 6 d'abril, celebració meva del dia universal de la poesia, vaig posar a la vergonya pública el meu Els set dies de Serena. Gràcies als qui m'heu fet arribar els vostres comentaris elogiosos. Gràcies als qui no m'heu fet arribar els vostres comentaris condemnatoris. Jo us dic que em sap una mica de greu haver tornat a treure aquells versos. No som d'aquells a qui més agrada publicar que escriure. Al contrari.

Avui, amb aquesta imatge de la finestra del lloc on escric, puc dir de cor els versos de Pessoa:

Da mais alta janela da minha casa
Com un lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a
[humanidade.

E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe como que na
[diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo.

1Enllaços:

Anonymous Anònim ha dit...

Eble, poemamanto, interesos al vi eniri en http://www.vastalto.com/blog/?m=200804; tie estas legindaj centoj da hajkoj, japanaj hajkoj. Ĝuu.

4:26 p. m.  

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